Escravo das Paixões
Humano, demasiado humano
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Textos
Vento Contra
Ponta negra amor
É lá o nosso lar
São três léguas de barco
Ou três noites de remo
Cuida do barraco mulher
Que de barco fui buscar
As telhas de amianto
Para nosso rancho montar
Espera amor que eu volto
No caminho eu vou pescar
Nosso cachorro vai te cuidar
Cuide das estrelas pra mim
Conserve a lua no seu lugar
Espera que eu vou voltar
Abre o mato planta a mandioca
Se lava toda no rio
Que não demoro a chegar
Faz uma prece pra mim
Que o mar virou
Que o mar tá grosso
O barco tá cheio de telhas
Amianto e sonhos na popa
Comprei uma renda bonita
Pra você se enfeitar
Afaste as cobras
Cuidado com a onça
Quando eu chegar
Se vista apenas de mar
Ore um terço uma novena
Pro barco não afundar
Acredito em Nosso Senhor
Que o vento em popa vai soprar
Eu vou chegar
Gelado cansado salgado
Quero um colo quente pra repousar
Porque tenho um rancho pra levantar
Pau-a-pique telha de amianto
Ganhei um bonito pintado
Mais preto que você
Prometo pegar garoupa
Para na fogueira assar
Passei na casa do pastor
E ele te mandou orar
Porque moça direita
Não se deita sem casar
Mas eu não vou contar
Toma banho meu amor
Que eu estou por chegar
Se vista apenas de mar
Acenda a fogueira na areia
Rale muita mandioca
Que já te dei o céu pra olhar
Porque é tudo que tenho pra dar
Além das telhas de amianto
Que nosso rancho vão ornar
E os meninos virão
E vou ensina-los a pescar
Serão fortes como você
Mulher que não sabe chorar
Que essa carta eu possa entregar
Pois o mar virou o mar tá grosso
O vento contra me cerra os olhos
A chuva me esconde as lágrimas
As ondas molham o amianto
A escuridão esconde troncos
A fé me move no mar
Se acaso eu chegar
Vista-se apenas de mar  
Luís Carlos Pileggi Costa
Enviado por Luís Carlos Pileggi Costa em 18/06/2021
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